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“Olhos que me dizem que não sou digno
Porque o corpo destes olhos não conhece a dignidade
Olhos famintos
Famintos por justiça
Passos que anseiam caminho
Caminho dos humanos

Que luz removerá nossas cegueiras?
Qual vida pagará a morte?
Olhos de uma terra paralela
Paralela ao ódio, ao desumano
Humanidade que se esconde atrás destes olhos
Onde outros olhos nunca a verá
Encoberta pela própria indignidade

Olhos que me cobram
Cobram daquilo que não posso pagar
Dívidas sem perdão
Qual perdão pagará olhos em choro?
Qual comida pagará olhos famintos?
Qual amor pagará olhos que não viram a sua mãe?

Indignidade que protege a dignidade
Para que os olhos do mal nunca possa admirar a dignidade
Indignidade esta que torna justo a nossa separação
A indiferença não pode andar junto das suas vitimas
Para que os seus inimigos não a vejam nem a sintam

Surpresa terrível será quando vermos que deles sempre fora o Reino
Porque seremos os últimos a entrar

Entrar? Céu? Porque nos preocupamos com lá?
Se nem sabemos viver aqui na terra
Ora, pra quer ir pra luz se os olhos não vêem
Então é melhor continuar na escuridão
Luz nos descobre nos deixando nu
Luz mostra o que não queremos ver
Ver-nos nos levará ao suicídio.

Oh Eu desconhecido!
Sabia que você não se conhece porque não conhece o teu próximo?
Sabe quem somos?
Somos o que o nosso outro reflete
Se não há eu sem o outro,
E o outro não vive em dignidade, então não há eu.
Enquanto o próximo estiver morto o eu também estará.

Egoísta! Não há lugar para você
Sua inexistência é fruto daquilo que
Você tirou da existência do outro

Por isto não se é falado entre os desumanos sobre o humano
Pois onde deveriam estar os humanos?

A humanidade deles não se é visível por nossos olhos.
Os olhos que os vê são desumanos,
Porque o desumano só vê o desumano
Mas o humano vê o humano

Melhor seria se nosso futuro fosse roubado
Para que o presente deles seja o nosso futuro
Nosso futuro está morto enquanto o presente deles estiver morto

Olhos sem esperança
Sem a esperança de um novo futuro
Futuro este que pertence a eles
Mas roubamos o futuro deles na forma do nosso presente
O nosso presente é roubado deles

O que é isto? Estou desesperado!
Parece que minhas letras pronunciam revoltas.
Me perdoem,
Hoje meus olhos viram os olhos de Jesus,
Viram Jesus num corpo manchado pela injustiça

Estes olhos me levaram a escrever algo
Mas não sei o quê
Tudo antes escrito neste poema é fruto destes olhos
Mas parece não ter sentido
Mas pra quê cobrar sentido?
Quando ele já foi perdido

Pai, mudarei minha fala para contigo
Não conseguirei dizer de nenhuma outra forma mais
Eu Te amo
Não há dignidade em frases vazia, sem atos
A fé sem obras é morta?
Digo também
O Amor sem atos está morto

Quero dar vida ao meu “Eu te amo, Pai”
Espero virar abraço as crianças órfãs
Espero virar beijos aos sem carinho
Espero virar comida para os famintos
Espero virar perna para os paralíticos

Quando ajudar um humano a recuperar sua dignidade,
Então Deus, receba isto a ti como um
Eu te Amo

Consegui ver letras para os olhos que vi
Vou escrevê-la não com o alfabeto
Mas escrevê-la com as lágrimas e atos

Jesus! Não!
Porque ainda hoje estou apenas usando lápis e canetas?”
(Autor: Suênio Alves)


“Pregue o Evangelho sempre, se necessário, use palavras”
(São Francisco de Assis)