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“Que o meu coração seja quebrantado e humilde pra atrair o teu coração;
que o meu coração se mova com a mesma compaixão, que move o teu coração…
Eu preciso te amar, te amar e ser movido pelo teu amor!”

Hoje eu acordei pensativa…Me lembrei de uma conversa com um amigo querido sobre amar a Deus, e sobre o processo que nos conduz a esse lugar de amor.

Você pode até achar estranho, mas se trata de um processo mesmo, um processo desconstrutivo, doloroso e de confronto direto! Passei por esse processo há alguns anos, quando me me dei conta de que não amava o Senhor. Isso aconteceu depois de ver no orkut uma comunidade: “Morro mas não nego a Jesus”. Lembro-me que pensei: Será? Será que eu não negaria a Jesus por amor, ou por medo de ir para o inferno diante de uma morte eminente?

O que me impressiona é que quando o Senhor resolve nos tratar amados, as coisas mais ordinárias e pequenas são usadas para nos confrontar! O Espírito Santo vem e joga luz nos nossos quartos escuros confrontando a nossa real motivação e expondo as sujeiras que escondemos embaixo do tapete.

Foi assim que me dei conta de que não O amava. Eu gostava de estar em sua presença sim, recorria a Ele nas minhas angústias, mas eu não O amava. Ele era um amigo querido e fiel, mas não o Amado da minha alma! Nosso relacionamento era superficial, assim como um casamento em que o amor acabou, nós nos acostumamos a dormir e acordar com aquela pessoa, existe o respeito, existe a amizade, mas não é mais a nossa prioridade, não é mais amor!

Essa constatação me levou a questionar duramente minhas motivações, e me fez entender porque eu não tinha intimidade com o Pai. Depois de tantos anos eu ainda o tratava como um padrasto bom. Ele me dava as coisas que eu precisava, estava por perto, me socorria, mas não era o meu Paizinho.

E eu sofri. Sofri porque eu desejava amá-Lo. Eu sabia o que Ele havia feito por mim, sabia de onde Ele tinha me tirado e era grata ao Pai por tudo, mas eu queria mais! Não queria ser grata apenas, não queria louvá-lo apenas pelo que Ele havia feito, não queria ter restrições ou interesses. Eu queria louvá-Lo por amor, gastar horas em Sua presença por amor apenas, chorar por amor e nada mais! Não queria buscá-Lo para ser cheia do Espírito Santo, mas buscá-Lo só para estar um pouquinho mais perto, e então ser conduzida pelo Seu coração. Deixar de ouvir Sua voz na tribuna apenas, e passar a escutá-Lo diariamente no meu coração! Ser capaz de morrer pelo evangelho como mártir, ser capaz de sacrificar tudo que amava se Ele me pedisse. Eu só queria amá-Lo, e se possível, da mesma forma que Ele me amava!

Eu não me conformava com aquela situação. Como, eu poderia não amá-Lo? Esse foi o grito da minha alma por algum tempo.

Durante esse período, passei a buscar esse amor n’Ele, que é o próprio amor! Pedi muitas vezes ao Senhor que me concedesse a graça de amá-Lo, pois eu queria ser irremediávelmente apaixonada pelo Noivo, o Amado Meu!

Não sei dizer ao certo quando amados…mas Ele veio ao meu encontro…e atendeu ao clamor do meu coração. Aleluia!!! E nada, nunca mais, foi da mesma forma ou teve o mesmo sabor! Hoje eu sinto verdadeiramente que aqui não é o meu lugar, e entendo o amor arrebatador que Paulo demonstra em suas cartas. Uou! É embriagante este amor amados! Não existem sequer definições, mas Paulo chega bem perto: “Pois para mim viver é Cristo, e morrer é lucro.”

Esse é o sentimento, se preciso for,  até morte, nós iremos com alegria!

O escritor Brennan Manning, autor do livro O Evangelho Maltrapilho, diz que “até a graça de compreender a graça é graça”. Compreendi que também o amor que sentimos por Deus e pelo próximo não poderiam vir senão do Pai, porque dentro de nós não há nada de bom.

O grito da minha alma é que o Pai renove em mim o amor por Ele, que o Noivo ocupe o lugar prioritário e primordial na minha vida! Meu clamor é para que o Pai não me deixe escapar, e não permita que eu me perca e saia do mover. É uma luta diária amados, um dia por vez.

O certo é que precisamos amar ao Senhor, pelo que Ele é; não pelos benefícios que isso pode nos trazer. Precisamos buscá-lo para estar perto d’Ele e não para ter uma revelação mais profunda que os demais. Precisamos repreender a frieza dos nossos corações, mas precisamos repreender o orgulho espiritual também.

Quero trazer aqui uma reflexão querido: Você ama o Senhor?

Que Ele possa alcançar nossos corações sedentos neste dia, e possa derramar de um amor que só poderia vir d’Ele.

“Que o meu coração seja quebrantado e humilde
Pra atrair o teu coração
Que o meu coração se mova com a mesma compaixão
Que move o teu coração

Que o teu infinito amor seja marca em tudo o que eu fizer
E aonde for, quero atrair aos teus braços
Todos os feridos, rejeitados
Maltratados pelo mundo
Quero conduzir ao caminho da cruz
Aqueles que estão cegos e perdidos
Iludidos nesta vida

Quero ver com os teus olhos
Sentir com o teu coração

Eu preciso te amar, te amar
E ser movido pelo teu amor

Pois ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos
Sem amor, seria sem nenhum valor
Ainda que eu tivesse dons e aprovação dos homens
Sem amor, eu nada seria
Pois tudo passará, e permanecerá o teu amor…”