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Depois de ler o texto do Ed René, ainda envolvida pela música que postei ontem, e após conversar com um amigo que não consegue voltar para a casa do Pai, sou confrontada pelo Espírito Santo, que expõe diante dos meus olhos os meus pecados e exibe no espelho da minha alma a Eva que existe em mim. E é assim, pensando na nudez de Adão e sentindo o frio da minha nudez, que fui invadida por uma solidão que apenas o pecado nos proporciona.

A solidão da ausência de Deus. Aquela solidão que passou a ocupar todas as tardes de Adão. Sim, aquelas tardes! Analisando rapidamente, não consigo mensurar essa solidão, esse vazio existencial que se seguiu após a queda. Na verdade não consigo mensurar o vazio que sinto agora. Essa frieza cadavérica que vai se apossando do meu coração, das minhas mãos, do meu rosto e do meu olhar.

Absorvida por uma tristeza infinita, sinto as lágrimas surgirem, junto com um sentimento tão intenso de arrependimento! Arrependo-me das minhas manipulações, das minhas palavras mentirosas, da minha falsa humildade, da minha falta de compaixão, dos meus julgamentos, da minha motivação torpe, da minha inconstância na fé, desse caráter deformado, me arrependo pelo bem que eu não fiz ao meu próximo, pela palavra de amor que eu não disse, pelo abraço que eu não dei. Ah são tantos os farrapos da minha alma!

E mais uma vez eu me arrependo Senhor…Mais uma vez, nessa constante luta entre o santo e aquilo que profana a minha alma, entre o caráter de Cristo e a minha natureza pecaminosa! Me arrependo mais uma vez por ser como sou, quem eu sou, da forma que sou…

Ouve-me Pai! Ouve meu grito desesperado por PERDÃO! Perdão Senhor!

Sempre que me lembro de Adão, penso naquelas tardes, em que ele caminhava com o Senhor pelo jardim. Penso nas risadas, nas conversas, tento imaginar a sensação de euforia que Adão sentia todos os dias com o entardecer. Senti inveja de Adão. Mas, pensando bem agora, Adão não pode voltar. Que tristeza sentir essa solidão para sempre! Quantas vezes Adão chorou de saudade, quantas vezes Adão se pegou no fim da tarde olhando o horizonte, se lembrando dos encontros com o Pai? A história de Adão não precisaria de nenhum outro dado, todo o mais não teve tanta importância quanto o fato de nunca mais encontrar o Pai.

Mas houve uma sexta-feira muito tempo depois, que colocou o Pai do lado de fora do portão, nos esperando, me esperando hoje mesmo. E Ele me espera enquanto eu cansada, corro ao seu encontro, arrependida. Eu penso em frases prontas para impressioná-Lo. Enquanto Ele apenas me espera…todas as tardes.

E ao avistá-Lo de longe, meu coração dispara, corro mais rápido, e mais rápido, até alcançá-Lo  e me lançar ao seus braços…Ahhh Que saudade!!! Posso ouví-Lo dizer baixinho: Que bom que você está de volta, senti tanto a sua falta, minha filhinha amada! Sinto um beijo estalado regado com lágrimas de saudades…De ambos…Senti tanta saudade d’Ele, quanto Ele de mim…

Que esperança gloriosa Cristo me deu naquela sexta-feira amados!!! Mas, muito mais do que esperança, Ele me apresentou “O Pai do Filho Pródigo”.

Uou! Agora preciso ir, preciso me arrumar, hoje tem festa na minha casa!!!