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“É sobre um coração quebrantado que Deus derrama do seu próprio coração.”

A ministração de sexta-feira sobre quebrantamento ainda arde no meu coração…E a palavra que ministrei veio de encontro ao momento de desconstrução que estou vivendo, de não saber quem eu sou, nem saber qual é o meu chamado. Parece muito louco? Tudo bem…Abri mão da sanidade e da coerência faz tempo!

Em um momento de intimidade com o Pai, ofertei no altar meu maior tesouro: Eu mesma. Deixei ali minha personalidade, meu temperamento, minhas convicções, meus valores, sonhos e expectativas de vida.

Por uma única razão: ser quem eu sou não tem mais valor algum depois de ter me encontrado com o Mestre! Depois de ter cruzado com o aquele olhar. Eu simplesmente não quero mais ser quem eu sou, quero ser quem Ele projetou, quero o caráter do meu Pai, seus valores e suas convicções, seus desejos e suas dores também.

Hoje, não sei mais quem eu sou, e não tenho mais certezas. E sei que esse é o caminho da dependência, um caminho desconhecido ainda, mas eu vou sem temer, sinto que Ele me segura pela mão.

Mas não é apenas o “quem sou” que passa por incertezas, mas o “para que” também. Hoje, não sei qual é o meu chamado. E a questão é que não sei se quero saber, um chamado redondinho e certinho me limitaria e não quero isso. Quero ser útil, apenas isso.

Tenho alguns anos em ministério de jovens e adolescentes, bons tempos por sinal, mas sinto como um ciclo terminado. Não posso afirmar que é o meu chamado, porque não sinto mais isso no meu coração. Não tenho a pretensão de dizer que o ministério da palavra é o meu chamado, embora saiba que Deus me usa através de ministrações da palavra. E embora o meu coração seja um coração adorador, sei que também não é o meu chamado.

A ministração de sexta-feira que mencionei no inicio deste post rasgou o meu coração…Percebi que nos últimos anos o que mais tenho feito é ouvir sobre a dor do outro, tenho divido a carga com alguns amados do Pai, chorado com os que choram e ministrado corações feridos.

Sempre tive um coração sensível a miséria humana, e durante muito tempo me perguntei porque certas coisas me incomodam tanto, porque não consigo ser impassível? Esses questionamentos foram mudando com o tempo, e se transformaram em: Quem chorará por eles?

Não sei se existem vários chamados, ou se apenas um chamado norteia nossa caminhada. Mas sinto que meu primeiro chamado foi para inconformidade, e o segundo foi para dividir a dor com os vacilantes.

Passei mais de um ano pensando em criar um blog, obviamente imaginei qual seria o norte que queria seguir, mas tenho percebido o caminho que tenho trilhado, e me vejo mais uma vez aqui, dividindo o peso da mala com os que estão pelo caminho, ouvindo dores e chorando com aqueles que choram.

Analisando essa questão de chamado, percebo como são lindos os chamados dos meus queridos irmãos. E quase como um confrontamento, pergunto: Quais são os que foram chamados para angústia, para a dor, para a miséria do outro? Quem chorará por aqueles que sofrem? Quem chorará por nós queridos? Que evangelho é esse que estamos vivendo? Evangelho e hedonista não cabem na mesma frase, são conflitantes demais para habitarem a mesma casa.

Quem sentirá a dor de Deus? Quem chorará suas lágrimas aqui? Quem está disposto a esquecer seus lamentos para sentir a desolação que Deus sente diante da nossa miséria? Qual será o tamanho da dor do Pai ao olhar para o mundo que Ele criou? Qual o sentimento de Deus diante da nossa geração?

Quantos Oséias existirão nessa geração? Quantos de nós, teremos que nos casar com a prostituta, pra sentirmos na pele a dor de Deus? Quantos espinhos Ele terá que colocar no nosso caminho, para que possa encontrar espaço nos nossos corações?

O desejo do meu coração é que possamos chorar com aqueles que choram, e que possamos chorar com o Deus que chora…