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Após alguns bons dias de descanso, estou de volta! Ainda sem entender nada, mas descansando no Senhor!

Quero abordar um assunto que há muito tempo me incomoda, e que tem se tornado um padrão de comportamento dentro de nossas igrejas. A vitimização!

Vitimizar: verbo transitivo direto e pronominal tornar(-se) vítima; sacrificar(-se), imolar(-se)
Derivação:
sentido figurado fazer-se vítima; lastimar-se como vítima (Houaiss)

Entristecida constato que, é de fato, um padrão de comportamento cada vez mais comum em nosso meio. Realmente não consigo encontrar um fator positivo nessa vitimização pessoal, e nem justificar esse comportamento. Isso me cansa!

A verdade é que nós adoramos o papel de “Maria do Bairro”, talvez pela novela ser tão enraizada na cultura brasileira, em algum momento achamos que o papel de “herói sofredor” nos cai bem. Talvez seja a síndrome de Adão, que peca, mas que insiste em se encaixar no papel da vítima da companheira manipuladora, e do Deus que lhe dá algo que lhe faz pecar.

Vê como somos manipuladores? Somos todos Adão! Queremos nos sair bem em qualquer situação, a qualquer custo, até quando pecamos! Quando falamos mal de alguém, e esse alguém descobre, a primeira atitude é “distorceram tudo, não foi isso que eu quis dizer”, a segunda é “não confio mais em ninguém”, carregando na interpretação mexicana. Porque simplesmente não assumimos o mal feito? Porque preferimos a mentira?

Veja como o mundo é feito de vítimas: O adúltero é vítima de um casamento enfadonho, o traído é a vítima com direito, o fornicador é vítima da pomba-gira que o seduziu, o ladrão é vítima da sociedade, o consumista é vítima do marketing, o bonzinho é vítima do abuso alheio, que se torna mauzinho porque foi vítima do excesso, a fofoqueira é vítima da maldade alheia, aquele que foi o motivo da fofoca é vítima do fofoqueiro, aquele que trabalha na igreja é perseguido e injustiçado, o adolescente que exagera é vítima do líder que o corrige, o pastor é uma vítima da incompreensão, a família do pastor são os  “alvos”. Coitados!

Dá até uma aflição! Talvez por isso, não aceitei o rótulo de “ex-abusada”, porque ele me coloca na condição de vítima. E eu não sou querido! Sou filha, sou livre, sou serva, sou escrava. Posso ser muitas coisas em Deus, mas vítima não, e por um único motivo: Deus não trata vítimas.

A vitimização é a outra face da moeda do orgulho, é o mesmo sentimento se mostrando com outra máscara. E o mais duro é que somos nós mesmos, líderes e pastores, que alimentamos essa doença, nós que não confrontamos nossos irmãos que se vitimam, nós que adoramos um coitadinho, que amamos sentir pena de alguém, porque sentindo pena somos “superiores”, somos “nobres”. Geramos uma geração cristã frágil, infantil, instável, sem dignidade, que não amadurece e não cresce, não assume as consequências de suas escolhas equivocadas e sempre precisa de um culpado para apontar, de uma moita para se esconder de Deus. Nós que sempre os alimentamos com leitinho porque não têm estômago espiritual para uma feijoada. Alguns  deixam de ser crianças para se tornam adolescentes volúveis e rebeldes.

Até quando queridos? Até quando vamos escolher as fraldas e as chupetas? Até quando nos calaremos? Até quando pisaremos em ovos nos altares? Até quando iremos usar posições na igreja para afagar o ego desses bebês, com a desculpa de “mantê-los” na igreja? Até quando usaremos essa desculpa, quando na verdade não queremos perder o “dízimo” de gente grande dos bebês?

Enquanto eu sou vítima, não sou capaz de reconhecer minhas falhas, meus erros, nem mensurar as consequências. Afinal, criança não tem noção do perigo não é mesmo? E é assim que vou “justificando” meus pecados, minhas falhas de caráter e minha personalidade doente!

Esquecemos porque filho pródigo foi restaurado no mesmo instante,  porque Davi foi perdoado, mesmo vivendo na lei. Eles não se vitimaram! É tão claro, e tão simples! Mas nós insistentemente prefirimos nos passar por filhos da perdição, preferindo a mentira, escolhendo a manipulação, optando por nos esconder no jardim.

Oh amados, eu me envergonho, e me arrependo pelas minhas escolhas! Pelas vezes em que manipulei uma situação para que eu fosse vista como vítima! Me arrependo pela minha geração covarde, de louvores extravagantes apenas nos lábios, me arrependo pelas mentiras contadas nos nossos altares! Me arrependo por não crescer, e assim impedir o Teu agir ó Pai! Que o Espírito Santo possa jogar luz nos nossos quartos escuros, desmacarando-nos e mostrando-nos quem nós realmente somos: Mentirosos. E que o mesmo Espírito Santo não nos deixe esquecer quem Tu és.

O que o evangelho de Jesus Cristo nos oferece não é uma falsa paz que nos permita evitar a luz implacável do julgamento, mas a graça para corajosamente aceitar a verdade amarga que nos é revelada. Abandonar nossa inércia, nosso egoísmo e nos submetermos completamente às demandas do Espírito Santo, rogando sinceramente por ajuda e dedicando-nos a cada esforço que Deus exigir de nós.(THOMAS MERTON)