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“Se somos filhos, então somos herdeiros; herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo, se de fato participamos dos seus sofrimentos, para que também participemos da sua glória.” (Rm 8:17)

Num tempo em que só se fala de participantes de realitys shows, e integrantes de bandas/ministérios, eu quero falar dos participantes do sofrimento. Mas não é qualquer sofrimento. É o sofrimento de Jesus. Uau! Jesus sofre? É possível que alguém que está nesse momento entronizado em glória sofra? Só é possível se nós estivermos falando da mesma pessoa, e estou falando daquele que além de estar em volto em glória, um dia também esteve aqui, entre nós pecadores. Ele nasceu no lugar onde os burros comiam, morreu crucificado no meio de dois ladrões e ressuscitou 3 dias depois.

Tenha a certeza de que aquEle que te convidou para participar da glória dEle um dia, aquEle que anseia por estar na eternidade com você, também te chama para sofrer com Ele. Aí você me pergunta:  “eu preciso sofrer pra um dia ter alegria com Ele na eternidade e participar da glória dEle?” Na verdade, não vejo como um “toma-lá-dá-cá” porque  Jesus não rima com barganha. Jesus rima com cruz, que me lembra sacrifício. Que me leva a concluir que o amor dEle é diferente do nosso. O nosso amor é barganha. Nosso amor é interesseiro. O de Jesus é cruz, é sacrifício, é ágape, é DAR sem intenção de receber nada em troca, é amar o outro como a mim mesmo e priorizar o bem estar dele. Ahan, utopia. Mas vem aqui sonhar comigo.

Tente entender que esse amor é tão homogêneo que não existe um participante do sofrimento que já não participe da glória. É uma coisa só. Onde sofrimento e glória podem se misturar? Na cruz isso é possível.

Jesus não gostava de sofrer, não era um masoquista, mas ele veio para aqueles que sofrem. E apesar de ter nascido em Belém (Casa do Pão) Jesus passava  a maior parte dos seus dias em Betânia (Casa do Aflito). Você enxerga a ligação desses dois lugares? O Pão é para aquele que tem fome, é para o que sofre, é para o aflito. Em Betânia não havia grandes templos, mas havia uma viúva pobre que deu a melhor oferta, havia uma pecadora escandalosa que se derramou aos pés dEle em contrição. Jesus dormia lá em Betânia porque lá Ele tinha AMIGOS. E não questionadores.

Amigos participam do sofrimento um do outro, naturalmente. Assim como é natural você querer contar aquela noticia boa pro seu melhor amigo, é natural que quando você precisa de um ombro pra chorar e desabafar, é pra esse mesmo amigo que você vai ligar. Eu não consigo entender uma pessoa que canta no domingo a noite que é “amiga de Jesus” e na segunda feira não sofre com aquilo que o faz sofrer. Se recebe a noticia de que uma adolescente de seu bairro foi estuprada violentamente, essa pessoa nem sequer ora. Só lamenta, e continua a semana com seu falso blábláblá de que o mundo está mesmo acabando. O mundo eu não sei, mas a sua “amizade” com Jesus já era, já foi. Nem existe.

Se sou amiga de Jesus eu quero estar perto dele o suficiente para poder olhá-lo nos olhos. E estando perto dos olhos dEle eu posso saber se Ele esteve chorando naquela semana.  Eu posso abrir meus ouvidos e deixá-lo falar sobre o que Ele tem sofrido. “É o Japão? É a Africa? É o Nordeste? É aquela criança travestida na esquina, da qual eu passo longe? É por ela que você está chorando Jesus?” Se você chegar bem perto dos olhos dEle você vai ver no reflexo pra onde é que ele está olhando. Não, não é pro seu ministério, ele está olhando pros perdidos. Se o seu ministério vai alcançar os perdidos, então ótimo, você vai alcançar o campo de vista de Jesus. Mas por que? Será que você é menos importante para Deus? Não, é que o pão veio pro aflito, lembra?

Quantas vezes o maná, o alimento do céu,  que Ele nos manda todo dia, tem apodrecido lá fora, porque nós, os fartos, nem nos damos o trabalho de ir colhê-lo? Quantas vezes a gente se satisfez com o maná de ontem? Quantas vezes só comemos o maná porque outra boca mastigou pra gente? O pão fresco só é saboreado por aquele que tem fome, e se você não tem fome, não é Jesus que te despreza, é você.

Portanto, participar do sofrimento de Jesus é levá-lo (O Pão) para aquele que perece de fome. Começando com nós mesmos. E não se iluda. Não é só nas igrejas, congressos, retiros que você encontra pessoas famintas de Deus. Jovens na fila de uma balada estão com essa fome. Aquela moça que posa nua e esbanja dinheiro está com essa fome. O ídolo do rock que inspira uma geração está lá, em cima de um palco. Passando fome. É fome do Pão, mas essas pessoas nem sabem. E se perguntam “por que nunca sou saciada, em lugar nenhum? De modo nenhum?” Cadê a igreja pra dizer-lhes que estão buscando nas fontes erradas? Que o que mata a fome também é Pai, e quer matar as saudades desses filhos de longe?

Ariovaldo Junior certa vez compartilhou sobre uma experiência , em que precisou responder a um faminto. Veja:

“Na Parada Gay do ano passado, um travesti me perguntou:‘onde estava Jesus quando eu fui abusado sexualmente aos 12 anos de idade?’ Respondi que Jesus estava lá sim. E que EU é que não estava. Pedi perdão por minha falha. Pedi perdão por a Igreja não ter sido a luz que ela deveria ser.”

Que a nossa proximidade e facil acesso ao Pão da vida não nos acomode. Mas que possamos nos desesperar e atender ao Reino, servindo Pão ao faminto, dando do que temos aos que perecem. PAZ!

Não Morda a Maçã