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Esse tema tem sido a minha realidade há alguns anos, e quero, em três partes, compartilhar com vocês o que tenho aprendido com o Senhor durante minha estadia na casa do Oleiro.

“Mas agora, ó Senhor, Tu és nosso Pai; nós somos o barro, e Tu o nosso oleiro;
e todos nós obra das Tuas mãos.” (Isaías 64.8)

O vaso pode ser feito de diversos materiais, e na Bíblia, temos referências de alguns deles: madeira, prata, ouro e barro (2 Timóteo 2:20,21). Mas todas as vezes em que o vaso é usado referenciando pessoas, Deus usa a figura do vaso de barro juntamente com a figura do Oleiro.

Existem várias passagens bíblicas que falam de vasos, e de barro. Sendo a que mais detalha esse relacionamento barro-oleiro é a narrada pelo Profeta Jeremias, no capítulo 18. É a passagem que mais se aprofunda nos detalhes do processo da olaria.

Quero me aprofundar com você nesse processo, e vamos começar falando sobre a matéria prima do Oleiro,  o barro.

O barro tem uma série de características, algumas se destacam mais:

  • O barro por si só não tem valor, já que é o material mais ordinário utilizado para confecção de vasos;
  • O barro não tem querer, quem determina a forma e utilidade do vaso, é o Oleiro;
  • O barro por si só é frágil, sem a intervenção do Oleiro, e sem a finalização do processo, o barro é a mais frágil matéria prima;
  • Dos materiais usados para fazer vasos, o barro é único que é reaproveitável;
  • O vaso de barro é único que pode ser moldado diretamente pelas mãos do artista;
  • O valor tem dois valores: o conteúdo e a assinatura do artista, confirmando o papel do barro apenas como matéria prima.
Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder
seja de Deus e não de nós. (2 Coríntios 4:7)

É fato que para “descermos” à casa do Oleiro, é preciso nos despir do nosso valor. Colocar-se, e aceitar a condição de barro requer desprendimento de tudo aquilo que se é, que se sonha, que se acredita. Aceitar-se como barro sinceramente, é apenas o primeiro passo para entrar na casa do Oleiro, e de uma coisa estou convencida amados, quem não se vê frágil e sem valor por si só, ainda não está pronto para passar pela olaria de Deus.

Assim como “sou servo”, o termo “sou barro” virou lugar comum, virou giria evangélica. Todo mundo diz. A questão é: são de verdade? Cada vez menos, tenho visto servos e barros genuínos. O que mais tenho visto são “amantes de si mesmos” em nossas igrejas, são “servos” mas que não podem ser contrariados, são “barros” mas que precisam ser honrados, são “vasos” mas que merecem lugar de destaque. Você percebe que a afirmação da condição de barro ou servo sempre é seguida por um sonoro “maaas…”?

“Sou servo mas…não sou idiota. Sou servo mas…não sou capacho. Sou servo mas…não sou burro. Sou servo mas…preciso de motivação. Sou servo mas…o líder tem que isso ou aquilo. Sou servo mas…não tenho sangue de barata. Sou servo mas…sou sincero e falo o que penso. Sou servo mas…”

Não defendo aqui uma fé sem raciocínio, uma fé bitolada sem inteligência. Defendo aqui o caminho da servidão absoluta, pura e sincera como foi a de Cristo, defendo o caminho da servidão com desprendimento, sem a espera pelo reconhecimento, sem glamour, sem honrarias, sem aprovação, sem credenciais, sem a expectativa de recompensa nesta vida, sem vida próspera obrigatória, sem lugar vip.

O maior ensinamento prático sobre servidão, quando Cristo lava os pés dos discípulos, é realizado em uma cerimônia íntima. Não havia multidões, não houveram grandes atos, grandes milagres. Havia o Servo disposto a ensinar o propósito da servidão. Após o lavapés, não houveram aplausos ou sorrisos, apenas a via dolorosa e a cruz. Isso me constrange.

Essa semana recebi uma mensagem de um pastor amigo, que me lembrou uma palavra que ardeu muito tempo no meu coração: – Ninguém quer ser João Batista, porque ninguém quer ser apenas “uma voz”.

A Bíblia não relata um único momento de alento na vida de João Batista, ele é, inclusive, descrito como uma pessoa estranha, que se alimentava de uma forma incomum e se vestia de igual modo. O fato é que João Batista existiu apenas para ser “a voz”, ele sequer presenciou tudo o que Jesus realizou em seu ministério terreno. Ele apenas “ouviu dizer”… Ele foi coadjuvante, e aceitou esse papel.

Mas nós não somos como João! Nossas expectativas são maiores, nós sonhamos alto, nós ambicionamos o papel principal. E toda essa “expectativa” que depositamos em “servir” é a causa de tantos feridos em nossas igrejas. Quanto maior a expectativa, maior a sua decepção. Talvez, a decepção já seja a sua realidade hoje, talvez você esteja caminhando na direção errada, servindo pelos motivos errados, esperando nas pessoas erradas.

Se é esse o caminho que você tem trilhado meu amado, se você, no meio do caminho, passou a acreditar que o vaso é mais importante que o tesouro que carrega, se você não consegue mais servir pelo prazer de servir, você precisa descobrir quem é o barro no processo.

Junto com o abrir mão do seu “valor”, é preciso abrir mão da sua “vontade própria”, da projeção que você imaginou pra sua vida, e de “quem você é”. Como eu disse no início, é o Oleiro quem decide a forma e utilidade do vaso. Não somos nós que escolhemos, ou sonhamos.

O Oleiro está pronto, mas sem a convicção real do seu papel no processo, você não suportará passar pelas mãos d’Ele.

Hoje, quero te convidar a reconhecer a sua fragilidade, e a reconhecer que você querido não tem valor longe das mãos do Oleiro, o seu valor está em ser quem Deus diz quem você é: Barro, servo, filho amado. Mais do que aceitar a condição de barro, você precisa desejar a condição de barro para que o Oleiro, que não desiste de nós, possa trabalhar profundamente em você, não para fazer um remendo, Ele não é um Oleiro de remendos…Mas para te desfazer e te refazer, quantas vezes for preciso, porque Ele é incansável e porque de você amado, Ele não desiste jamais.

Como barro que somos, temos a certeza de que sempre haverá algo para ser trabalhado em nós, e a esperança infalível de que Ele sempre estará debruçado sobre nós, limpando, moldando, e nos aperfeiçoando até sermos dia perfeito!

“Sem Ti não há valor em mim
Sou como um vaso de barro
Pronto a ser quebrado
Para ser o que queres de mim.

A Tua presença é tudo que eu preciso
A Tua presença é o meu maior valor…”