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“Dispõe-te, e desce à casa do oleiro, e lá te farei ouvir as minhas palavras. E desci à casa do oleiro, e eis que ele estava fazendo a sua obra sobre as rodas, Como o vaso, que ele fazia de barro, quebrou-se na mão do oleiro, tornou a fazer dele outro vaso, conforme o que pareceu bem aos olhos do oleiro fazer. Então veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? diz o SENHOR. Eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel.” (Jeremias 18:2-6)

Para nos aprofundarmos no processo descrito por Jeremias, é preciso conhecer o contexto histórico dessa palavra, e entender o pano de fundo da poética palavra revelada em Jeremias 18.

Jeremias nasceu durante o reinado de Manassés, que começou a reinar aos 12 anos de idade e reinou por 55 anos. Manassés fez o que era mau à vista do Senhor, de acordo com as abominações das nações que o Senhor tinha desapossado diante dos filhos de Israel (2 Reis 21:2). A lista dos seus pecados é repulsiva, até mesmo para aqueles que não se preocupam muito com Deus. Ele se envolveu em todos os tipos de adoração idólatra, incluindo a de sacrifício humano. Ele até fez passar pelo fogo alguns dos seus próprios filhos “como oferta no vale do filho de Hinom” (2 Crônicas 33:6).  Ainda mais, ele “derramou muitíssimo sangue inocente, até encher Jerusalém de um ao outro extremo” (2 Reis 21:16). Em conseqüência dos seus pecados, Deus fez com que Manassés fosse levado embora com ganchos, amarrado com cadeias, para o cativeiro assírio (2 Crônicas 33:11).

Então Manassés se arrependeu! Sim, creia ou não, no cativeiro ele realmente se humilhou grandemente diante de Deus e pediu Sua misericórdia (2 Crônicas 33:12-13). Tão genuíno foi seu arrependimento que Deus realmente permitiu-lhe retornar a Jerusalém para terminar seu reinado. E quando voltou para Jerusalém, ele completou seu arrependimento removendo todos os ídolos, restaurando a verdadeira adoração de Deus e ordenando à nação que servisse a Jeová novamente (2 Crônicas 33:14-16).

Mas, tristemente, o arrependimento do próprio Manassés não afetou o coração de seu filho, nem mudou o coração da nação em geral. Haviam sido 55 anos de corrupção, os costumes já haviam se tornado cultura, parte da vida, do cotidiano, da história de cada um. Os muitos anos de sua perversa influência simplesmente tinham sido demasiadamente fortes para se agarrarem ao povo. A evidência disto é muito clara: quando Manassés morreu, foi dito que “Amom, seu filho, reinou em seu lugar… Fez o que era mau perante o SENHOR, como fizera Manassés, seu pai” (2 Crônicas 33:20-22). Ainda que o próprio Manassés tivesse uma mudança de coração, seu arrependimento tardio na vida não pôde desfazer todo o terrível dano já causado pelo seu envolvimento anterior com depravada impiedade.

Amom, filho de Manassés, então com 22 anos assume o trono. Foi tão corrupto que foi assassinado dois anos depois, vítima de uma conspiração (2 Reis 21:19). Seu filho, Josias, então com oito anos, se torna rei (2 Reis 22:1).

Josias, do oitavo ao décimo ano de seu reinado, passou a buscar a Deus, e essa busca levou-o a dar início a reforma religiosa que resultou na destruição de postes sagrados, altares e imagens em todo território e além dele. De acordo com os escritos sagrados, essa primeira fase da reforma durou 10 anos, e no 18º ano do seu reinado, durante a restauração do tempo, o livro da lei foi encontrado. Josias rasgou suas vestes em sinal de arrependimento, e fez então uma aliança com o Senhor, estabelecendo cultos de adoração à Deus.

Jeremias iniciou seu ministério no reinado de Josias, durante a reforma, e embora houvesse sinceridade no coração de Josias a reforma teve um efeito pouco duradouro sobre o povo.

O efeito não se consolidou porque a  mudança foi superficial, não houve uma mudança profunda. O povo mudou o “meio”, não o coração. Eles não passaram a adorar a Deus porque o amavam e reconheciam seu poder, o povo passou a adorar a Deus porque o rei Josias disse que deveria ser assim. Adorar a Deus se tornou um ritual religioso. Mudaram de “deus”, mas seus corações permaneciam corrompidos!

Este é o cenário quando Deus chama a Jeremias, e lhe diz: “Dispõe-te e desce à casa do oleiro…”

Deus estava claramente dizendo: Ok, ok! Vocês se esforçaram, eu reconheço.  Mas a mudança deve ser de dentro para fora e não apenas de hábitos, não apenas no exterior, deve ser uma mudança profunda, mudança de crenças, valores, esperança, de modo que o passado perca o valor e a importância, e vocês se tornem “novos”.  Sozinhos jamais conseguirão se desfazer de todos esses valores e de toda sua história de pecado e dor. Vocês precisam de um profissional!

A mesma disposição que Deus teve com Israel, Ele tem com você meu amado! Ele não quer que você o siga, porque alguém disse que deve ser assim, Ele não deseja sua adoração como “meio” para alcançar benefícios, Ele não quer ser o seu Deus porque você precisa ter um. Ele deseja ser o Senhor da sua vida, e que você viva segundo a vontade d’Ele. Ele tem mais pra você! Mas o vaso só pode ser cheio até transbordar, depois de pronto, depois do Oleiro se certificar que o vaso não tem fissuras, nem rachaduras em seu interior.

Deus chama a Jeremias, e lhe diz: “Dispõe-te e desce à casa do oleiro…”, hoje Deus te diz: “_____________, levanta e desce à casa do oleiro, lá Eu vou falar com você…”

Chegamos até esse impasse, e agora você escolhe “descer” ou ficar onde está…Qual é a sua escolha? Eu já fiz a minha!