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“Eu quero ser o lugar onde você gosta de estar, eu quero ser sua casa favorita, quero ser o Teu altar”

Hoje, estou sentindo uma saudade avassaladora de Deus. Uma saudade intensa, desesperada, inquietante. Queria muito estar em um lugar, retirada mesmo sabe? Longe de qualquer influência externa, no mais absoluto silêncio. Apenas eu e o Noivo Amado! Decidida, queria muito falar sobre essa saudade da voz e da presença do Pai, mas mudei de idéia…Vamos falar sobre a saudade que Deus está sentindo agora!

“Vai e clama aos ouvidos de Jerusalém: Assim diz o SENHOR: Lembro-me de ti, da tua afeição quando eras jovem, e do teu amor quando noiva, e de como me seguias no deserto, numa terra em que se não semeia.”(Jeremias 2.2)

Por intermédio de Jeremias, Deus traz uma palavra carregada de emoção.

Em primeiro lugar, Deus sente saudade dos tempos áureos de afeição do seu povo por Ele (Jr 2.2). Nos versículos 1 a 3, Deus demonstra saudade de seu povo, mencionando os tempos áureos, quando toda a afeição lhe era devotada. Isto deve suscitar em cada um de nós uma avaliação de nossa vida, uma espécie de check-up de nossa condição diante de Deus.

Quando esfriamos em nosso amor por Deus, Ele nos olha e é como se dissesse: “Eu lembro dos tempos da sua afeição, quando o seu amor por mim, igreja, era um amor intenso, fervoroso. Você me conheceu e se afeiçoou a mim, entregando-se de todo o seu coração. Você tinha prazer de estar comigo, em estar na minha casa, na leitura de minha palavra, nas vigílias de oração. Você proclamava o meu nome com grande alegria. Você me adorava e o louvor emanava da sua alma com fervor.”

Deus tem saudade da afeição de nossa juventude, quando tínhamos uma devoção pura, sincera, pelo Senhor; saudade dos tempos do nosso primeiro amor. Quando paramos para pensar nisso, é inevitável sondar nossos corações para descobrir se já andamos com Deus de maneira mais profunda do que hoje.

Pergunte-se: sua devoção ao Senhor é maior hoje que antes? Pergunte-se sobre sua vida devocional, suas reações à Palavra, seu engajamento, seu ardor por evangelismo e pelas almas perdidas. Pergunte-se sobre sua alegria em convidar um amigo ou um parente para vir à casa de Deus, sobre sua preocupação em interceder pelo mesmo milagre de conversão que foi operado em sua vida.

Não se trata da simples presença em momentos de celebração, culto, ensino, programas ou cânticos de louvor, mas sim da motivação, do entusiasmo, ou seja, do seu amor por Deus.

Em segundo lugar, Deus sente saudade do seu primeiro amor por Ele (Jr 2.2). A ternura de Deus por você se torna ainda mais evidente no versículo 2, quando nos vê como a noiva. Que grande carinho está contido nessa imagem! É como se, um cônjuge saudoso exclamasse para nós: “Eu me lembro com saudade daquele tempo em que você se preparava para me encontrar. Eu me lembro daquele tempo em que falar comigo era o deleite do seu coração. De quando você me cortejava com alegria, em momentos de intimidade e comunhão comigo.”

Você se lembra? Como nós gostávamos de ouvir a voz de Deus! Era uma época em que tínhamos prazer em vez de, aflitos, ficarmos olhando no relógio; em que Deus falava conosco madrugadas adentro e nos deleitávamos no Senhor. Como as coisas de Deus encantavam a nossa alma, como as coisas de Deus embeveciam o nosso coração.

Nós éramos a delícia de Deus e Ele era a fonte da vida para nós. Nós, como noiva, seguíamos Deus pelo deserto. Nosso coração confiava em Deus sem duvidar; cada dia com Ele era uma aventura, uma experiência nova e maravilhosa. Não havia rebeldia, nem incredulidade, nem desconfiança. Andávamos com Deus através das adversidades.

Hoje, as coisas acontecem. Você vem ao templo, gosta dos rituais. Mantém um compromisso externo, mas o seu coração está frio. Sua alma já não está enamorada de Deus. O ritual tomou o lugar da devoção. O templo substituiu a comunhão com o Senhor do templo. Tudo continua acontecendo, mas seu coração já não é mais puro, sua vida já não é mais santa, Deus não é mais o prazer da sua alma.

O povo de Judá também ia ao templo. Eles tinham orgulho da religião deles. Eles confiavam que estava tudo bem com eles. Eles gostavam do templo, mas tinham perdido a sua comunhão com Deus. Uma coisa é conhecer a Casa de Deus; outra coisa é conhecer o Deus da Casa de Deus.

Em terceiro lugar, Deus tem saudade daquele tempo que você era consagrado a Ele (Jr 2.3). No versículo 3, lemos que Israel era consagrado ao Senhor. Deus olha e diz: “Eu me lembro”. É a saudade de Deus. Nós tínhamos comunhão com Ele, podíamos entregar-nos a Ele sem reservas, coração, vida, destino, futuro. Esses três primeiros versículos clamam por um auto questionamento:

Você está tendo comunhão com Deus? Verdadeiramente está se deleitando em Deus? Até que ponto o ritualismo tem substituído o relacionamento? Até que ponto o ajuntamento solene tem substituído a sua intimidade com o Senhor? Ao entrar na Casa de Deus, será que você também entra no Santo dos Santos para adorar o Senhor?

Nessa época, Deus tinha zelo por nós porque tínhamos zelo por Ele: quando Israel era consagrado ao Senhor, todos os que o devoravam se faziam culpados. Ele guerreava as nossas guerras e nos defendia porque o nosso prazer e o nosso deleite estavam em andar com Ele.

Deus está nos olhando e dizendo: “Igreja, eu tenho saudade…”

Hernandes Dias Lopes
O Clamor Emocionado de Deus