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“…chorai com os que choram.” (Romanos 12:15)

Onde estão aqueles que deveriam “chorar com os que choram”, a dizer “aos que estão tristes que há coroa em vez de cinzas, óleo de alegria em vez de prato, veste de louvor em vez de espírito angustiado”, onde estão os que deveriam pregar as “boas novas do reino de Deus”, embaixadores da justiça, da paz e da alegria?

Não raramente quando ocorrem tragédias como a que aconteceu ontem em Realengo, sou tomada por uma dor na alma que me atira num abismo sombrio e vazio. Perdoe-me amigo, mas a revolta e a inconformidade toma conta de todos os meus poros hoje.

Hoje eu quero chorar os mortos de Realengo, hoje eu quero chorar pela nossa nação, quero chorar pelo sangue derramado no chão do Rio de Janeiro, quero chorar por aquelas mães e pais que hoje verão seus filhos pela última vez, quero chorar pelo Wellington e por sua família, quero chorar pela igreja que se perdeu, quero chorar por mim.

Hoje, não me revolto com a política de segurança pública pífia, não me revolto com a corrupção que promove o mercado negro do armamento, e não, eu não me revolto com o Wellington. Hoje, como em tantas outras tragédias, me revolto com a “noiva”. Essa “noiva” manchada e doente, que se tornou incapaz de chorar com aqueles que choram.

Nesses momentos vejo o quanto a igreja, no Brasil, é inútil e incapaz. E me pergunto: – Pra que igreja? Pra que Cristo? Se nós o colocamos numa redoma de vidro, e guardamos em nossas gavetas? Cadê a igreja nesses momentos de dor, de tragédia? Onde estão os pastores? Onde está o evangelho?

Eu entro no Facebook, no Orkut e vejo um monte de “irmãos” pedindo oração pelo RJ, e dizendo: JESUS ESTÁ VOLTANDO! E eu não consigo não me incomodar com essa postura hipócrita dessa gente que usa o meu Jesus como escora de suas vidas mesquinhas e medíocres!

É sexta-feira…Domingo está chegando, e muitas igrejas irão levantar um clamor de dois minutos por aquelas vítimas e suas famílias, e depois poderão ministrar a oferta e voltar à programação normal. Não há inconformismo, só um desconforto momentâneo.

Nos conformamos. Essa é a verdade. Nos conformamos com as nossas tragédias diárias. Hoje, estamos comovidos com o crime brutal que ceifou a vida de crianças, mas não nos incomodamos com as crianças que morrem “em vida” nas cracolândias de cada cidade, sentimos no máximo um desconforto se encontramos com algum deles, mas se não os vemos, está tudo bem!

A igreja está envolta em campanhas, em construções faraônicas, em templos monumentais, em eleger representantes, em abrir mais e mais igrejas, em congressos, convenções, conferências, ministérios. E essas são apenas as questões “politicamente corretas”, mas eu também poderia relacionar todas as “podridões” dos bastidores que tenho conhecimento para embasar minha revolta, mas não quero tropeçar numa pedra conhecida.

Termino então esse texto dizendo que, hoje eu choro por mim. Que sei, que vi, que sinto, mas que ainda não consegui fazer nada por aqueles que choram. Não posso me calar, não posso fingir que não sei. Sei que Deus me incomoda profundamente com essas questões por alguma razão.

Hoje, me envergonho diante da cruz de Cristo, onde Ele derramou sua vida, seu amor, sua compaixão, e choro por não fazer nada por aqueles que choram, se não apenas chorar também.

”Pela terceira vez Jesus lhe perguntou: Simão, filho de João, tu me amas? Pedro entristeceu-se por ele lhe ter dito, pela terceira vez: Tu me amas? E respondeu-lhe: Senhor, tu sabes todas as coisas, tu sabes que eu te amo. Jesus lhe disse: Apascenta as minhas ovelhas.” (João 21:17)