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Ainda divagando sobre meu feriado em BH, e sobre acontecimentos posteriores, quero falar sobre decepções!

Definitivamente decepção é uma palavra que risquei do meu dicionário! Primeiramente porque o “decepcionado” é uma vítima, e eu não sou simpática a “vítimas”. Depois porque “decepção” é uma palavra forte demais, que põe sobre o outro um peso além do que se pode suportar. E além do mais queridos, quem sou eu para me decepcionar?

Quem já gastou tempo tentando se aprofundar na natureza humana não pode se dar ao luxo de dizer-se “decepcionado”. A decepção nada mais é que a personificação dos altares que construímos em nossa existência, construímos nossos altares e colocamos lá os infalíveis! Como diz minha prima: “Decepção é humanidade de uma pessoa se sobrepondo aos idealismos infantis que nutrimos por ela.”

O que mais gera decepções são expectativas erradas acerca dos outros, e acerca das situações. Nós idealizamos as pessoas, idealizamos os relacionamentos, acabamos esperando demais das pessoas, esperando delas o que não podem dar. Há pais que esperam demais dos seus filhos. Há filhos que esperam demais dos seus pais. Amigos que esperam demais. Liderados que esperam demais de seus líderes. Líderes que superestimaram seus liderados. Ovelhas que esperam a perfeição de seus pastores.

Grandes expectativas são os pais de grandes decepções.

Não podemos esperar que o nosso próximo supra o que, por definição, não pode suprir.

Não devemos esperar a gratidão sempre. Uma mínima parte das pessoas que socorremos, ajudamos e amamos nos socorrerá, nos ajudará e nos amará. A gratidão é uma exceção, não um comportamento natural. O Mestre curou dez leprosos e apenas um voltou para agradecer. Jesus, que conhecia a alma humana, mostrou aos seus discípulos o que é a natureza humana (Lucas 17.17). A palavra nos diz para fazer o bem sem olhar a quem, como se fizéssemos o bem de olhos fechados, sem ver a quem servimos, que é a única maneira de jamais sermos decepcionados.

Relacionemo-nos, mas não esperemos que aqueles que têm algo contra nós venham conversar conosco, para buscar o entendimento e, quem sabe, a paz. Isto pode acontecer, mas o padrão humano é nos condenarem sem nos dar a oportunidade de defesa. E acredite, eu sei do que estou falando.

Não esperemos que aqueles que nos ofenderam venham nos pedir perdão sincero. Isto pode até acontecer, mas o padrão humano, na melhor das hipóteses, é um pedido de desculpas, do tipo: “Eu não quis ofender você, mas, se ofendi, peço perdão”, ou um pedido de desculpas responsabilizando uma outra pessoa ou situação. Uma manipulação barata da situação para sair como vítima!

Pedro, mesmo advertido de que o faria, negou a Jesus três vezes num curto espaço de tempo. Ele ficou tão decepcionado consigo mesmo, que chorou amargamente (Lucas 26.75). Um de nós provavelmente diria: “A pressão era grande demais e eu não aguentei. Eu não neguei; fui apenas mal-interpretado. Também não fez diferença nenhuma o que eu falei”.

Davi quando confrontado pelo profeta Natã apenas arrependeu-se! Não culpou a mulher que havia sido imprudente, não culpou o ócio, nem responsabilizou a vida enfadonha do palácio. Davi não era vítima. Pedro também não.

Devemos ter a visão correta da natureza humana, inclusive para evitar a auto-decepção. Agar, quando ficou grávida, tripudiou sobre Sara, que era estéril (Gênesis 16.4). Sara jamais poderia imaginar aquele comportamento por parte de sua empregada. Agar, portando, ao se decepcionar com Abraão e Sara, se esqueceu do que ela mesma os decepcionara no passado. Quem era Agar para falar em decepção?

Somos Pedro. Somos Sara. Somos Abraão. Somos Agar. Não nos esqueçamos que, nós também somos os agentes da decepção. Oremos a Deus para nos dar discernimento para ver nossos próprios enganos. O pior engano é o auto-engano.

“Bendito é o homem cuja confiança está no Senhor, cuja confiança nele está. Ele será como uma árvore plantada junto às águas e que estende as suas raízes para o ribeiro. Ela não temerá quando chegar o calor, porque as suas folhas estão sempre verdes; não ficará ansiosa no ano da seca nem deixará de dar fruto.” (Salmos 1:7,8)

Volto ao início. Não somos perfeitos. Entristecemos e somos entristecidos. Sofremos porque depositamos expectativas demasiadamente grandes sobre ombros que não as podem carregar. Sofremos porque buscamos em outros relacionamentos o que apenas Jesus pode nos oferecer! Apenas Cristo é o Senhor de nossas vidas, sobre QUEM devemos depositar nossas esperanças, e expectativas! Ele é o nosso Amado Noivo, nosso Rei, nosso Pastor, nosso Amigo, nosso Pai.

Percebe que Ele supre todas as necessidades que são referenciadas por figuras que quando nos decepcionam deixar mais marcas? Apenas Ele querido, apenas Ele merece o altar do nosso coração, apenas Ele é digno e infalível!

Deixemos a decepção para as criancinhas amados! As crianças que acreditam no time que nunca vai perder, que o pai é um super-herói, que o coelhinho da páscoa traz os ovos de chocolate, que os bebês são trazidos pela cegonha e que o Papai Noel presenteia aqueles que se comportaram durante o ano.

Há muito tempo minhas expectativas foram se esvaziando. Deixei-as no altar do meu Amado, e hoje, termino citando um versículo, escrito por Paulo, sobre a expectativa que deve habitar nossos corações:

“Segundo a minha ardente expectativa e esperança de que em nada serei envergonhado; antes, com toda a ousadia, como sempre, também agora, será Cristo engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte. Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro.” (Filipenses 1:20,21)

Citações
Atos Dois
Livres da Dor