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Hoje me sento diante do computador para escrever com o coração em chamas, e completamente rendida ao meu Amado, absolutamente consumida pelo Amor do Mestre.

Nos últimos dias, tenho vivido a intensidade que Paulo descreve em suas cartas, Deus como meu alimento, minha água, meu respirar…De tal forma que mal consigo escrever essas linhas sem derramar meu coração e minhas lágrimas de gratidão pelo que Ele fez por mim! Não posso e não quero me esquecer!

Quero voltar a falar sobre chamados, e sobre Aquele que nos chamou. Esse tem sido um assunto recorrente não apenas no blog, mas na minha vida, isso porque o blog é um espelho daquilo que estou vivendo durante a caminhada.

Quero dizer que meu chamado não é mais disforme! Uou! E confesso que sinto borboletas no estômago, porque desconheço meu futuro em sua totalidade. Não sei mais como serão as coisas, estou completamente à disposição do Pai.

Vocês sabem que fui para Lagoinha confusa, desejando que o Pai me desse uma direção com relação ao meu chamado, e com relação ao que Ele desejava de mim. No último dia de congresso, comentei com uma amada da Bahia como me sentia em relação ao chamado, e ela me deu uma resposta surpreendente, e inesperada, ela me disse: Você deve orar sobre missões! E não me deu maiores explicações, na verdade depois daquela frase não me lembro com clareza do restante da conversa. Aquela frase foi como se um farol fosse aceso na minha cara no meio da noite! Me impactou, e desarrumou meu coração.

No culto de encerramento do congresso, Ana fez um chamamento, para aqueles que sentiam seus corações em chamas, que sentiam uma inconformidade, que já haviam escutado o chamado do Senhor, que sabiam que sua existência era por um propósito maior, mas que ainda não haviam deixado todas as coisas para trás, ainda se sentiam presos e por isso não atendiam ao chamado do Pai.

Me senti nua. Eu havia sido desmascarada! Sabia que aquela palavra era para mim! Naquele instante desabei diante do altar do meu Senhor. Ele havia me respondido! No mesmo instante me lembrei de uma profecia que recebi ainda adolescente, sobre missões. Profecia essa que apenas minha prima, que estava presente, sabia além de mim. Profecia da qual eu mesma ri algumas vezes.

É impossível voltar naquele momento, e não sentir as lágrimas rolarem. Porque agora eu entendo porque meu coração sempre se moveu na direção dos não favorecidos, agora eu entendo porque passei anos chorando diante de qualquer imagem da África, ou qualquer outro país subdesenvolvido, entendo porque toda a minha ambição profissional acabou, porque as minhas expectativas também acabaram, entendo porque nos últimos tempos “viver para Cristo” tem um outro significado para mim. Para quem me conhece há alguns anos, irá se surpreender, porque sempre fui focada, e sempre tive um horizonte, sempre soube onde queria chegar. Hoje, meu horizonte é a cruz.

Talvez minha vida para você pode parecer triste, porque não tenho expectativas, não tenho ambições, mas quero que você desassocie esses dois sentimentos: “expectativa” e “esperança”. É verdade que não tenho expectativas, porque expectativas são humanas, são projeções que nós fazemos acerca de nós mesmos, mas meu coração transborda de esperanças meu amado, esperança NAQUELE que é fiel, e que me ama.

Isso não é mais que suficiente amados? Não preciso de mais.

Quando voltei de BH, com os pensamentos em turbilhão, procurei um amigo, que é pastor, para que ele orasse comigo e com meu esposo sobre esse assunto. Choramos juntos falando sobre a chama que o Senhor também tem colocado em seu coração, e ele me disse uma frase: – Tudo tem seu tempo determinado.

O que posso dizer é que não sei como será meu futuro, eu só sei que estou nas mãos do Pai. Não sei se serei uma provedora de missionários, se um dia o Senhor me dará as nações, não sei se irei mobilizar pessoas e eventos para promover missões, não sei se irei morrer pelo evangelho como meu coração deseja, não sei quando será, não sei aonde será, não sei como será. Estou no centro da vontade d’Ele, e é nesse lugar que eu espero e descanso.

Dias depois dessa conversa com o pastor, o Espírito Santo me disse: Leia o livro “O Viver É Cristo”! Esse livro é sobre Paulo, e eu havia começado a ler e havia parado, voltei a ler exatamente no capítulo que falava sobre os sofrimentos de Paulo, e é como se Ele estivesse me perguntando, do mesmo modo que perguntou a Pedro: “Cinthia, Tu me amas?”

E assim como Pedro, eu respondi: Sim Senhor, até o fim, até a última gota do cálice! Eis-me aqui!

“Porque eu, mediante a própria lei, morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim.”
(Gálatas 2:19,20)
“Segundo a minha ardente expectativa e esperança de que em nada serei envergonhado; antes, com toda a ousadia, como sempre, também agora, será Cristo engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte. Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro.”
(Filipenses 1:20,21)