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“Um lamento de cortar o coração
Ecoou no vale, todo mundo ouviu
Um pastor aflito
Conta e reconta sem querer acreditar
Falta uma ovelha sua no curral

Comovido vai em busca de encontrá-la
Ela é fraca e tola, mas ele a estima
Sobe e desce morro, mil perigos
Vai exausto sem jamais perder
A ternura quando chama o nome dela

Por lugares tortos e sombrios
Sofre quando a imagina ali
Fosse outro encerraria a busca
Mas incompreensivelmente a ama

E no fim da madrugada a encontra
Ferida e assustada, mas com vida
E desce a ribanceira como aos vinte anos
E a toma com cuidado
Sobre os ombros fartos

Que alarido é esse no amanhecer?
É o pastor fazendo festa no arraial
Como se tivesse achado
O maior tesouro que jamais se viu
É só uma ovelha,
Mas como a estima…”