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“Porque o SENHOR tem piedade de Sião; terá piedade de todos os lugares assolados dela, e fará o seu deserto como o Éden, e a sua solidão, como o jardim do SENHOR; regozijo e alegria se acharão nela, ações de graças e som de música.” (Isaías 51:3)

Todas as vezes em que o Senhor me honra com o cumprimento de um sonho que Ele plantou em meu coração, nos dias que se seguem sinto como se Ele me conduzisse ao deserto, e depois deste congresso de líderes, não é diferente.

Sei que é uma forma em que Ele consolida em meu coração a dependência total! Sinto que é a forma que Ele encontrou pra me dizer: Você não é nada filha! Eu Sou!

Hoje, a solidão é latente. E o sentimento de que o Senhor tem pedido minhas amizades se confirmou no meu coração.  Não posso afirmar que é fácil, porque não é. Sou uma pessoa sociável, gosto de estar com pessoas, gosto de estar entre amigos. Quem não gosta?

Não falo de carência, dessa carência desesperadora, do sentimento de rejeição que tem assolado nossa geração e que tantos anos me assombrou. Falo da simples falta de alguém com quem se identificar, alguém que eu possa olhar e saber que essa pessoa é como eu sou. Falta de amigos que queiram o que eu quero.

Também não falo de amor, de marido, de esposa. Meu esposo é o meu melhor amigo, meu maior parceiro e ajudador. Mas faltam pessoas que olhem para o mesmo horizonte sabe? É uma solidão diferente. Um vazio de semelhantes, de ideais.

Para sentirmos solidão não precisamos necessariamente estarmos sozinhos. Podemos estar rodeados de várias pessoas e ainda sim nos sentirmos solitários, a solidão independe da quantidade de pessoas que estão ao nosso redor, mais sim do relacionamento que você tem com estas pessoas.

O nosso erro é que humanizamos as situações, demonizamos as pessoas, e não espiritualizamos as circunstâncias da nossa vida. Nós não somos normais queridos, e não temos uma vida normal. Aceite isso amado. TODAS as coisas cooperam para o bem daqueles que AMAM ao Pai, e que são chamados segundo o Seu propósito. CADA situação que te trouxer desconforto, não se vitime, olhe para dentro de você e pergunte ao Pai o que Ele está tentando te mostrar.

Seria um caminho mais fácil me queixar da ausência dos meus queridos quando precisei.  Mas não posso fazer isso. Escrevi aqui anteriormente que muitas vezes nos sentimos sozinhos, e equivocadamente culpamos e cobramos as pessoas, quando na verdade é um período de separação necessário para que as águas do Espírito Santo possam alcançar todas as áreas da argila seca e ainda endurecida pelas circunstancias da vida. A solidão é usada por Deus para nos tratar, para falar intimamente aos nossos corações.

O fato de compreender que se trata de uma ação do Senhor não torna certas coisas menos dolorosas, mas saber que Ele está no controle traz paz ao meu coração. Isso é mais que suficiente!

Não posso negar que cada vez mais me sinto fora de órbita, não me sinto adequada, certos assuntos me entediam, a sensação de que não pertenço a este mundo está cada vez mais forte. Sinto que esse caminho é sem volta, é a carne morrendo, cedendo espaço ao Espírito Santo. Só posso pedir ao Pai que me ajude, que me encoraje, que não me perca de vista.

“Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer.” (João 15:14,15)

Jesus passou três anos da sua vida consolando e curando uma enorme multidão, e na única ocasião que precisou ser consolado, quando mais precisou de companhia, não houveram amigos, não houveram multidões. Situação que se perpetuou na vida dos seus discípulos, e daqueles que ousaram dizer: Eis-me Aqui Senhor. Como diz Oswald Sanders, “a maior companheira do líder é a solidão”.

Deus usa a minha solidão para me dizer duas coisas. A primeira delas que Ele me diz é: Eu Sou TUDO o que você precisa! A minha graça te basta, Eu Sou O Amigo mais chegado que um irmão!

“A Tua presença é TUDO que eu preciso, a Tua presença é o meu maior valor…”

A segunda coisa que o Pai me diz, me trazendo à memória uma oração que tenho feito há alguns anos, sobre sentir o que vai no coração do Pai, sobre viver o que Paulo viveu, sobre a chama que arde no meu coração sobre missões. Ele me fez compreender que não existe ministério sem solidão, não existe deserto sem solidão, não existe liderança sem solidão, não existe intimidade com o Pai sem solidão.

Me lembro de Paulo, de Davi, Ester, José, Daniel, Oséias, Jeremias, me lembro do meu Jesus. Ministérios forjados na frieza da solidão. São nesses momentos que posso ouvir em meio ao silêncio ensurdecedor que só a solidão pode produzir, junto com o barulho das ondas batendo nas rochas, uma doce voz me perguntando: Cinthia, Tu Me Amas?

É também na solidão que podemos ver a nudez da nossa alma, e perceber o quanto somos limitados. Paulo é tão assertivo quando diz: “Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço.” (Romanos 7:19), esse encontro com a nossa condição miserável e corrupta é tão doloroso quando trilhamos o caminho da santidade. Fico constrangida diante da insistência do Senhor em me curar, em me mostrar quem eu sou e quem Ele é.

Saber que em TUDO há um propósito do Senhor, e que o caminho da solidão irá me conduzir ao altar do sacrifício, me encoraja a prosseguir sem temer. Até a última gota do cálice! Se preciso for até a morte.

Sei que a minha solidão, passageira ou permanente, será transformada em um jardim secreto de adoração ao meu Amado, lá Ele porá nos meus lábios novos cânticos, e do meu interior fluirão rios de águas vivas. E eu não consigo parar de pensar que é só para isso que eu existo!

“Eu não tenho outra escolha a fazer, eu não tenho outra decisão a tomar,
eu não tenho opção por nada… Nada que não seja Te amar Senhor…”