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“Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor.” (Romanos 12:19)

Como ferida e doente que fui, carreguei grandes cargas de ressentimento, o sentimento de injustiçada e a vítimização fizeram de mim, muitas vezes, juíza e executora do juízo. E na medida das feridas do meu coração, como arma afiada de Satanás, feri a tantos outros, em nome das dores que ninguém conhecia.

Tantas vezes ouvi e falei: “A vingança é do Senhor!”, muitas vezes no formato de consolo, outras tantas como uma praga que é rogada. Mas o fato é que depois que eu conheci o Deus de Amor, confesso que essa imagem de “vingador” era conflitante demais para mim, uma vez que, somos todos filhos do mesmo Pai. Como Ele nos vingaria? Isso nunca ficou suficientemente claro para mim, até ontem.

Ontem senti um desejo imenso de ir na igreja em que servi ao Senhor por 18 anos. Todas as vezes que volto àquele lugar sinto meu coração se quebrantar, e uma gratidão imensa invade o meu coração por tudo o que vivi naquele lugar. Foi ali que fui encontrada pelo Senhor, ali Ele me chamou ao ministério, ali Ele falou comigo tantas vezes. Não posso me esquecer de TODOS os benefícios do Senhor que vivi naquela igreja!

Apensar das lembranças felizes do meus primeiros passos na fé, houve um tempo bastante obscuro naquela igreja em que fui duramente provada, fui expostas á situações que me fizeram, durante anos, renegar o chamado do Senhor que eu havia atendido naquele mesmo lugar.

Muito menina ainda, com então 14 anos, assumi muitas responsabilidades, e sempre busquei a excelência em tudo o que eu fazia. E eu não sei em qual momento, ser quem eu era, fazer as coisas como eu fazia, passou a incomodar. Surgiram então os “justiceiros” dispostos a fazer “justiça”! Essa “pseudo-justiça” abriu um buraco no meu coração e me lançou no buraco da incredulidade, e aumentou o abismo que já existia entre eu e o Pai. Essa fase durou 3 anos, e a minha fuga do altar mais um tanto de anos.

Durante esses três anos, fui o alvo de diversas ministrações, fui excluída socialmente, as pessoas fugiam de mim, e nas inúmeras vezes em que subi no altar para louvar ao Senhor, havia sempre uma mulher que ria, debochando da minha situação. Insistentemente, ela ria. Eu fechava os meus olhos e continuava a cantar. E ela só parava quando eu descia do altar.

Acontece que no decorrer dos 15 anos que se seguiram, todos os envolvidos naquela fase passaram por alguma situação de queda, menos essa irmã que ria. Até que há alguns meses atrás, ela viveu o que os outros já haviam experimentado: a queda, os olhares de acusação e a vergonha da exposição.

Confesso que senti tristeza, mas de alguma forma, senti que aquilo era uma resposta para o que eu havia vivido anos atrás. Me lembrei de cada ocasião que vivi, e preciso dizer, que num primeiro momento me senti sim, vingada!

Percebe que mesmo sendo conhecedora da graça, e buscando conhecer a Deus como Ele é, uma notícia é capaz de exibir em meu coração o pior de mim? Uma palavra é o bastante para que revelemos nossa essência hipócrita e orgulhosa! Um acontecimento ressucita o impostor religioso que mora dentro de nós!

Quem sou eu para querer algum tipo de justiça? Se o meu senso equivocado de justiça me diz que as pessoas DEVEM receber o que merecem, o que eu mereço então? O que receberia diante da minha miserabilidade? Das minhas constantes falhas? Da minha soberba espiritual?

Ele nos trata como precisamos, não como merecemos. Isso é GRAÇA! É o favor IMERECIDO! É o amor que nós recebemos de Deus por ELE ser QUEM É e não por quem nós somos! Não importa o que façamos ou o que deixemos de fazer!

Quando sou confrontada pela miserável pecadora que sou, sinto um profundo constrangimento diante do amor que não desiste, pelo contrário, insiste em trabalhar em mim, em gerar em mim características que saem do Seu próprio coração.

Num segundo momento, conhecedora do implacável sistema, me compadeci e durante muitos dias alimentei uma tristeza por aquela história tão dolorosa e vergonhosa. Os dias passaram, e eu esqueci.

Ontem, quando me arrumava para ir cultuar com o meu esposo, senti um ímpeto de voltar naquela igreja. Pedi ao meu esposo que me levasse até lá, e quando entrava no carro, o Espírito Santo me disse que eu iria ministrar uma palavra e me deu a palavra. Minhas mãos gelaram e meu estômago virou na hora!

E enquanto ministrava, revivi aquela situação de 15 anos atrás. Ela estava lá, no primeiro banco, mas ela não ria mais, ela chorava. O Senhor havia ministrado no meu coração sobre o amor que apaga nossas transgressões, perdoa os nossos pecados, paga as nossas dívidas, e nos coloca, através da graça, novamente no lugar de filhos amados. Sobre a graça que nivela o terreno aos pés da cruz, e nos coloca, justificados, em igualdade, uns com os outros. Naquele momento meu coração se encheu de amor por ela!

Assim que terminei de ministrar, ela foi até aonde eu estava e me abraçou! E eu chorei. Entendi que precisava ser eu ali, entendi que a vingança do Senhor havia chegado. Finalmente eu entendi! A vingança e a justiça do Senhor é o amor, porque a sua essência é o amor.

Durante muitos anos acreditei que Deus não se lembrava mais de tudo aquilo que eu havia vivido. Eu estava enganada, Ele jamais esqueceu, jamais esqueceu!

Tudo fez sentido, e o meu Deus de amor é sim, um poderoso e incomparável vingador, e em amor, Ele nos vinga envergonhando Satanás, e aí sim, colocando-o DEBAIXO dos nossos pés, através do seu precioso amor!