Estamos na semi-escuridão do Calvário e escutamos, nós escutamos os soldados que xingam, os transeuntes que passam questionando, e as mulheres que choram.

Mas, acima de tudo nós escutamos os homens gemendo a medida que os minutos e as horas passam, os gemidos começam a enfraquecer, os três homens estão morrendo. E se não fosse pela respiração sofrida, chegaríamos a pensar que estão mortos, mas então, Ele grita.

Sua voz rouca, irregular, reflexos das tochas dançam em seus olhos arregalados. Meu Deus, Ele diz, e ignorando o vulcão de dor que o dilacera, Ele busca forças e ergue-se até que seus ombros fiquem mais elevados do que suas mãos pregadas na cruz.

Porque me abandonastes? Jesus fez uma pergunta aos céus e meio que espera ouvir uma resposta. E aparentemente a resposta veio, pois a expressão do Salvador se abranda, e uma alvorada surge em plena tarde, enquanto Ele fala pela ultima vez: – Tudo está cumprido. Pai, em vossas mãos entrego o meu espírito.

Fonte: Ele Escolheu Os Cravos