Esse é um post de amor, uma declaração de um amor profundo!

Há dois anos meu Pai chegou em casa com uma caixa, e dentro dessa caixa havia um cachorro. Lindo, bem peludo e com o olhar tristonho. O chamei de Elvis, e ele me ignorou, mas quando o chamei de Bóris, ele me olhou nos olhos e arrebatou meu coração.

Quando Papai me deu o Bóris, eu estava decidida a ter um cachorro de raça, sempre tive vira-latas mas não queria mais, apesar de amar os animais, cismei que queria um de raça, e enquanto eu procurava um cachorro para comprar, o Espírito Santo me confrontou: “Nem um animal você quer amar e se comprometer sem ter certeza de que ele tem procedência!” Uauuu! No mesmo instante me lembrei das pessoas das quais me afastei por considerá-las de caráter duvidoso, de conduta leviana. Jesus continuou: “Eu caminhei com Judas até o final, lavei seus pés e o amei!” Me arrependi, e prostrada chorei. Quem poderia ser mais vira-lata do que eu? Com a minha história torta, com minha vida torta, caráter deformado, e ainda sim cheia de orgulho e justiça própria…Miserável, miserável, miserável!

Alguns dias depois o ex-dono do Bóris se desfez dele, e o deixou na casa da minha mãe. Papai havia chegado em casa com o meu cachorro de raça de presente! Lindo! Era de encher os olhos, um belo chow chow ruívo, peludão e com a língua mais azul que já vi. Dois dias depois descobrimos que ele tinha uma doença grave, em estágio hemorrágico já, e sem garantias de que ele sobreviveria ao tratamento. Começamos o tratamento e alguns dias depois o recebemos na nossa casa e nas nossas vidas para sempre.

O Espírito Santo continuou me ensinando através dele. Alguns meses depois descobrimos que ele era epilético. Aparentemente estava tudo bem, mas sem os cuidados necessários, os primeiros anos da vida do Bóris deixaram marcas que iriam causar danos por toda vida dele.

O olhar do Bóris aos poucos foi se alegrando e ele passou a ter uma cara de menino levado, ficou ainda mais bonito, e feliz. Com uma personalidade única e extremamente educado, passei a considerá-lo uma pessoa “velha”. Nós fomos muito felizes, e juntos, vivemos dias incríveis!

Há algumas semanas percebi que o Bóris havia perdido a visão, e na busca por um diagnóstico descobrimos que o quadro era muito mais grave. Nossa rotina se transformou para dar conta de medicá-lo 14 vezes por dia. Junto com nossa rotina, o nosso bebê também passou por uma transformação, se tornou arredio e agressivo comigo, afinal, sou a responsável pela medicação, focinheira, injeções e tudo o mais desagradável que há nesse período.

Ele deixou de abanar o rabo quando ouvia a minha voz, eu me tornei um referencial da dor. Enquanto eu o medicava uma manhã, fiquei pensando nas vezes em que me tornei arredia com Deus porque estava doendo, como agora está, incapaz de compreender que Ele queria apenas me curar e me ensinar.

Depois de perceber que o quadro havia piorado, cortamos a medicação e oramos. Hoje ainda não existe um diagnóstico pela complexidade do caso. Fisiologicamente ele está saudável, e o mais provável é que o problema seja neurológico, e portanto, degenerativo. Existe também a suspeita de um tumor cerebral. Ele não come mais sozinho, não bebe mais água, não enxerga mais, e não consegue mais andar sem esbarrar em tudo, completamente desorientado.

No meu coração eu sei que ele não vai resistir, e pra ser sincera, eu não quero que ele resista. Ele não precisa sofrer assim, e apesar de amá-lo profundamente, desejo que ele descanse.

Apesar do sofrimento, sei que Deus tem sido cuidadoso conosco em permitir que compreendamos racionalmente que é o melhor. Seria infinitamente cruel uma morte repentina.

Tenho pensado muito naqueles que vivem isso com seus pais, com seus filhos especiais. Somos constantemente convencidos pelo nosso “umbigo” que somos vítimas, que sofremos, e o quão difícil é, quando na verdade nossos problemas são mínimos diante das batalhas diárias que tantos valentes anônimos travam por seus amados. Muitas vezes sem expectativas, sem esperança de cura!

Durante esse momento desolador para nós, tive certeza de uma coisa: Quando Deus decide nos levar ao fundo da caverna nada poderá impedi-Lo! Ele me levou, e não quero sequer imaginar quanto mais profunda e escura essa caverna pode se tornar!

Não consigo deixar de pensar nos últimos dois anos, e tudo o que tem ido, e o que restou. Apesar de ser feliz independente das circunstâncias, e estar em um lugar de contentamento, não posso deixar de dizer que as tristezas foram muito maiores que as alegrias. O Bóris certamente foi uma das poucas alegrias! Não é uma queixa, é uma constatação. Sei que estou na caverna de Adulão, sei que se trata de um processo, sei que Deus está comigo, mas hoje, só hoje, meu coração não está alegre. Vai passar, eu sei que vai!

Triste, mas agradecida. Que bom que fomos nós! Que bom que nós podemos cuidar dele. Que bom que podemos amá-lo e curti-lo! Foi incrível!

Não sei quantos dias ou semanas ainda temos, tenho me esforçado para fazer esses dias mais confortáveis para ele. Gosto de pensar que o Bóris vai para o céu dos cachorros, e vai correr em um gramado imenso, bem do jeito que ele gosta. Espero que o céu dos cachorros seja um anexo ao lado da minha morada celestial! É assim que prefiro pensar…

“Meu coração aprenda a esperar
Meu coração aprenda a descansar
Meu coração aprenda a confiar em Deus
Ele é o único que pode te ajudar

Ele é o Deus de toda esperança
Ele é o Deus de toda consolação
E jamais aqueles que nEles esperam serão confundidos
Ele é Fiel

Meu coração aprenda a esperar
Meu coração aprenda a descansar
Meu coração aprenda a confiar em Deus
Ele é o único que pode te ajudar

Ele é o Deus de toda esperança
Ele é o Deus de toda consolação
E jamais aqueles que nEles esperam serão confundidos

Não há impossiveis em suas palavras
Nenhum dos seus planos podem ser frustrados
Ele é fiel!

Ele é fiel, Ele é fiel, Ele é fiel, Ele é fiel…”