Deus, o Senhor sabe melhor do que eu que estou ficando mais velha e, algum dia, serei velha. Guarde-me de me tornar faladeira, em especial, guarde-me do hábito trágico de pensar que devo dizer alguma coisa (ou postar) sobre todos os assuntos e todas as ocasiões.

Liberte-me da ansiedade de querer endireitar os negócios de todo mundo. Faça-me solícita, mas não temperamental; útil, mas não mandona. Com minha vasta história de sabedoria parece uma pena não usá-la de forma alguma, mas o Senhor sabe, Deus, que quero poucas amigas no meu fim. Guarde-me da ladainha de detalhes intermináveis – dê-me asas para ir direto ao ponto.

Peço graça suficiente para ouvir o relato dos sofrimentos alheios. Sele meus lábios para minhas dores e meus tormentos – eles estão aumentando, e meu amor por relatá-los torna-se mais doce com o passar dos anos. Ajude-me a suportá-los com resignação.

Não ouso pedir pela melhoria de minha memória, e sim por mais humildade e pela diminuição da certeza quando minhas lembranças parecem conflitar com as dos outros. Ensine-me a lição gloriosa de que, ocasionalmente, é possível que eu esteja errada.

Mantenha-me razoavelmente doce. Não quero ser uma santa – é tão difícil viver com alguns deles -, mas uma mulher idosa desagradável e amarga é uma coroação para a obra do demônio.

Dê-me a capacidade de ver coisas boas em lugares inesperados, e talentos em pessoas que ninguém percebe. E, ó Senhor, dê-me a graça de dizer-lhes isso.

– Escrito por uma cristã anonima do século XVII

“Enganosa é a graça, e vaidade, a formosura, mas a mulher que teme ao Senhor, essa será louvada”. (Provérbios 31:30)